Quinta, 09 de setembro de 2010 - 21:19

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


Regime e costume democráticos (Coluna Opinião)

A socióloga, profa. Maria Victoria Benevides, em profundo estudo sobre as bases de uma educação para a democracia, faz uma interessante, quanto verdadeira linha de raciocínio acerca do que divide um regime democrático de um costume democrático. Efetivamente, diz a intelectual, com grande propriedade, que estamos em um regime democrático, mas, decididamente, não vivenciamos um costume democrático.

É fato, aborda a ilustrada professora, em suas palavras, que o Brasil, e isto é sabido por todos, teve, durante a ditadura militar, de 1964 a 1985, um brutal período de redução dos direitos de cidadania, onde o povo era conduzido apenas a uma vida social de produção, distribuição e consumo de seus bens elaborados. Nada mais lhe deveria interessar, consoante o entendimento dos governantes de então. Vemos, no entanto, depois desse processo, um valor em franca expansão: uma educação política de afirmação da cidadania.

O cidadão passa a ser o reivindicador de benefícios individuais e/ou coletivos, tentando impor aos governos não mais a busca de benesses, mas o puro e simples cumprimento de suas obrigações institucionais, nascidas do emprego que nós, eleitores, demos a eles, com as suas eleições. E aí me insiro, também, como fundador e dirigente de uma ONG, onde, ocupando lacuna social deixada pela incúria dos governantes, reivindico, com veemência, sem acreditar estar buscando favor, a participação dos governos, no retorno do dinheiro do povo, à parcela da população mais necessitada, pois entendo que "a apatia política dos cidadãos compromete o futuro da democracia".

Dessa forma, vemos necessidade de uma educação de comportamento, desde a escola primária, no sentido de enraizar hábitos de tolerância diante do diferente ou divergente, assim como o aprendizado da cooperação ativa e da subordinação do interesse pessoal ou de grupo ao interesse geral, ao bem comum.

É necessário sacudir a inércia do povo, de uma acomodação política sem participação, para a compreensão de seu dever positivo, para uma energia ativa de cobrança e reivindicações, fazendo, aí sim, o sistema democrático se tornar também em um costume democrático.

O cidadão comprometido com o bem comum de amanhã nasce na criança educada de hoje, a ser um dente de uma engrenagem, que se constitui no grande rotor elaborador de uma sociedade mais justa.

Rousseau, o grande educador político, asseverava: "A pátria não subsiste sem liberdade, nem a liberdade sem a virtude, nem a virtude sem os cidadãos... Ora, formar cidadãos não é questão de dias, e para tê-los adultos é preciso educá-los desde crianças.".

José Medrado é medium, fundador e presidente da Cidade da Luz.