Quinta, 09 de setembro de 2010 - 03:43

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


Aos políticos, por oportuno (Coluna Opinião)

Os nossos políticos, de um modo geral, sempre foram pródigos em achar que possuem autonomia administrativa, esquecendo-se de que o verdadeiro patrão é o povo. Agem como se fossem donos, legítimos proprietários de algo privado, em um verdadeiro acinte aos lídimos princípios democráticos. Não se dão conta de que estão ali como representantes, não como auto-gestores de sonhos e interesses pessoais.

Alguém já disse, e com muita propriedade, que o poder político nasce das necessidades e carências de um povo e, enquanto não se adotar no Brasil o caminho da cobrança sem receios, e o exemplo como norma de conduta, este país não será sério.

A maioria dos políticos criticados, e no exercício de suas atividades, se ofendem, defendem-se com melindres, ao invés de reconhecer suas deficiências e partir com simplicidade para as mudanças necessárias. Buscam, na soberba, que é o ato de extremo orgulho, uma sensação de absoluto vivenciada por pessoas que se sentem extremamente poderosas e incapazes de aceitar uma negação vinda de alguém inferior, inclusive em forma de crítica.

Cuidado, desta forma, senhores políticos em exercício, principalmente de gestões públicas, pois a soberba, ou orgulho excessivos levam ao desmedido da auto-confiança, gerando, conseqüentemente, uma trave emperrada, medíocre e mesquinha, incapaz de gerar mudanças produtivas no crescimento do seu desiderato de servir ao ideal do bem comum e, portanto, de se manterem empregados.

Nós, no entanto, povo, donos do emprego de quem ajudamos a eleger, não deveremos nos intimidar em cobrar, reclamar, indignarmo-nos, inspirados no senso comum do "não adianta", pois isto só revela um desvio concreto do nosso dever, uma espécie de esvaziamento da capacidade reflexiva e objetiva de no dar o valor que temos e fazê-los perceber que se não quisermos, como sempre na historiografia da humanidade aconteceu, eles não vão mais a lugar algum. Devemos ser autores e não agentes da formatação e implementação das políticas públicas que vão incidir sobre nós mesmos. Acreditemos: eles não nos fazem favor algum, quando gritamos, reivindicamos o de que necessitamos em nossa sociedade.

Ora, a vida pública existe para o embate e busca permanente do interesse coletivo e não pode ser resolvida e vivida através de caminhos e vontades individuais, nascidas ao bel prazer da cabeça dona da caneta que determina.

É por isso muito importante o "nós", enquanto sujeito da ação coletiva e produtor de poder, entendido aqui como um recurso gerado pela habilidade dos membros de uma comunidade de estabelecerem uma discussão e eventualmente concordarem sobre
qual o caminho a seguir.
Não se esqueçam, senhores políticos: é a oitiva do povo que garante a legitimidade do poder.

José Medrado é mestrando em família e fundador da Cidade da Luz.