É uma falta de respeito (Coluna Religião)
Caro leitor, você que me acompanha por aqui já deve ter formado o seu entendimento acerca da minha transigência ao compreender as questões associadas aos padrões humanos de comportamento. Entendo que as pessoas guardam os seus valores e devem viver as suas vidas consoante o seu entendimento de necessidade, em sintonia com a ética e os princípios de valores inquestionáveis . O livre arbítrio deve ser respeitado, mas naturalmente também entendido como liberdade; todavia, com dever de responsabilidade de assumir as conseqüências das escolhas pessoais.
Dessa forma, não posso ver, senão como um profundo desrespeito à fé dos católicos e ao próprio Catolicismo em si, a atitude violenta do fotógrafo espanhol, Alberto Linero Marchena, que teve ao fotografar dois jovens rapazes nus, sobre um altar, tendo ao fundo a imagem de Nossa Senhora e à frente um crucifixo, dizendo que se tratava de arte para um calendário, cuja venda em parte seria destinada a instituições filantrópicas.
Afirma o fotógrafo que são fotos artísticas, cabendo à arte a liberdade de criação. Ora, ora, temos o direito, sim, de não concordar com os princípios doutrinários das religiões, ou de alguma em especial. Temos o direito até de não acreditar em coisa alguma. Tudo bem! Todavia, não podemos tripudiar sobre a crença de quem quer que seja, uma vez que isto é que se torna em grave violação ao tão batido e consagrado princípio de que o "meu direito acaba, quando começa o do outro".
Aqui não questiono se as fotos são homoeróticas ou não. A questão não é esta, mas, sim, de profanação a princípios de crença, a alvos de veneração por parte de pessoas que depositam ali (em qualquer religião) os seus ideais de esperança, consolo e respeito.
O fim beneficente de parte do recurso não justifica, de forma alguma, a ação infeliz do "artista" espanhol.
Enquanto não lutarmos para que o respeito ao ser humano seja a tônica de uma vivência comprometida com o ideal de conquista de uma liberdade com limites, nascida de uma consciência de valor democrático verdadeiro, não deixaremos de ver as barbáries que são cometidas em nome ou contra a fé.
As pessoas não precisam desrespeitar, debochar dos valores religiosos de quem quer que seja simplesmente porque não concordam com os seus compêndios doutrinários. Poderemos sempre, sim, discordar, questionar, mas profanar, penso que nunca. Ou, se o fizermos, que assumamos as conseqüências.
Já é tão difícil vivermos sem fazer das religiões times com torcidas, onde o que vale é a imposição da prevalência de nossos pontos de vista. Imaginemos, agora, se sairmos a macular os altares, os púlpitos, as tribunas das religiões que não abraçamos! Será, inexoravelmente, o retorno de um obscurantismo generalizado, de resultados desastrosos.
Hoje, a grande maioria dos conflitos sobre a Terra tem associação direta com valores religiosos, ainda que interpretados equivocadamente. Pensemos na generalização, digamos, em miúdo, do desrespeito a símbolos e templos religiosos. Esses conflitos varrerão a Terra em guerras particulares, familiares, como de bandidos em defesa de seus pontos de contravenção e ilegalidade.
É sempre bom lembrar as palavras do Dalai Lama, quando disse "que a melhor religião será aquela que o fizer melhor".
José Medrado é médium, fundador e presidente da Cidade da Luz