Quinta, 09 de setembro de 2010 - 20:33

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


Ministérios Públicos e gestores (Coluna Opinião)

É impressionante a falta de compromisso com as Entidades filantrópicas, beneficentes ou de caridade, por parte dos gestores públicos. Falo da forma fragmentada de transferência das "merrecas", perdoe-me o vernáculo, aos abrigos que por desiderato de amor à causa da solidariedade assumem o papel do poder público, no amparo a crianças e jovens em situação de risco social.

Imagine, caro leitor, que até setembro Estado e Município ficaram em dia com as suas obrigações, após ameaças de se ir à imprensa e coisas mais. Adivinhe! Tudo foi regularizado. Eleições passadas, o que aconteceu? Não precisa ser a lendária Madame Beatriz para saber.

Não se pode falar coisa alguma, pois as sensibilidades se eriçam, os melindres vêm à tona. Ora, as autoridades deveriam se envergonhar, ao invés de se rebelarem contra as vozes que gritam pelos outros, em busca de sustentação de suas ações, que lutam para garantir um mínimo de dignidade à atividade que tem como fulcro a formação de cidadãos e de uma sociedade menos perversa e mais igualitária. Empenhadas no fortalecimento da cidadania, essas instituições brigam para a consolidação de uma sociedade democrática, justa, e estimulam a participação e a solidariedade: ações verdadeiras que não passam por interesses políticos partidários, senão o de servir à comunidade onde estão inseridas. Mas..., quando se passa por esses interesses, aí tudo são flores.

Todo ano é a mesma luta: atrasos, mobilização junto ao Ministério Público, diligente em encampar as suas responsabilidades, mas que termina aqui e ali desrespeitado, pois os TACs - Termos de Ajustamento de Conduta - não são cumpridos. Reuniões e mais reuniões, em geral sem a presença dos gestores principais, e seus representantes ficam lá com as suas "caras de paisagem", quando não em franco deboche aos presentes. Essa falta de compromisso desmotiva e desgasta física e emocionalmente todos que temos o ideal de servir, acarretando dificuldades de relacionamento, e impede a caminhada em um único sentido: gerar direitos aos cidadãos desgraçados muitas vezes da mínima dignidade humana.

Até o momento que escrevo este artigo, o Estado deve um mês e o Município caminha para o terceiro. Alguns dos envolvidos na negligência vão dizer que é pouco, mas se eles fazem seus planos dos excessos de fim de ano, nós, ONGs, fazemos da manutenção do essencial.

O nosso sentimento é cristão, no amparo e auxílio, mas não confundam a nossa cobrança, pois nunca será tola, uma vez que sabemos que não se trata de esmola nem favor mas, sim, de obrigação.

Quem não se encontra em condições para aceitar as críticas pelas negligências ou ação lerda no serviço público, que vá embora, ou, então, nos sirva com respeito, diligência e competência, pois para isto nós, o povo, os pagamos.


José Medrado é fundador e presidente da Cidade da Luz