Ainda que pesem as teorias polyanas, dos colecionadores metafóricos de pretensos argumentos sem qualquer base real, dizendo em contrário, o que vemos, no entanto, é um movimento espírita totalmente desarticulado, perdido em seu caminho, sem qualquer ação de coordenação ou direcionamento sistematizado.
A Federação Espírita do Estado da Bahia, há muito sabido, virou um grande, fisicamente falando, centro espírita vazio, excludente dos que pensam de forma contrária. Burocrática na realização, cumprimento de agenda, de um desgarrado evento aqui e outro ali, sem compromisso com a força do conjunto, mas preocupada com a “grandeza” pessoal dos seus coligados. Não existe um compromisso com a maioria atuante, mas, sim, com uma ação improdutiva, nascida da arrogância, inveja, ciúme, vaidade de alguns que por lá andam.
Qualquer opinião em contrário dos seus “arrazoados” cheios de blá,blá,blá é tida como de quem fala mal, ou está sob processo obsessivo, mas vejamos: os Centros espíritas se tornaram ilhas isoladas, onde seus eventos não são, de um modo geral, prestigiados por outras casas. Não há um estímulo direcionado aos Centros, se as pessoas os buscarem em oportunidades de eventos, festividades. Parece que há um clima de concorrência entre os maiores, jamais confessado, mas presente. Onde estão as grandes festas de fraternidades de aniversários de Centros, como as que ocorriam na década de oitenta e princípio da de noventa? Onde estão as grandes juventudes do mesmo período? Onde estão os jovens, que não vemos nos Centros? Onde as peças de teatro, o memorável show de música mediúnica organizado por Lucia Loureiro? Acabou-se tudo.
Onde o reconhecimento dos que fizeram este movimento, as homenagens como estímulos aos mais jovens? Companheiros tombam nas lápides da ingratidão de todos, sem ter um pouco sequer de reconhecimento pelo que fizeram e foram. Nesta fila se encontram Josué Arapiraca, Sr. Juventino, Élzio Ferreira, Bernardo - ainda que tivéssemos as nossas diferenças - mas foi inegável a sua ação de líder. Os que aí estão também cairão no esquecimento, inclusive eu, mas e a nossa doutrina? Será porque não temos mais que combater o elemento externo da intolerância religiosa, temos que nos combater? Será que só vivíamos como protagonistas de nossa religião quando estávamos no período da ditadura militar e não sabemos viver no regime democrático das diversidades?
De quando em vez, sou procurado por algum ex e atuais “federativos” para a fundação de um movimento nos moldes das USEs de São Paulo, mas honestamente não penso ser o caso, inclusive por não achar que todos os equívocos estão sob o manto omisso e/ou arrogante da FEEB, não! Há também as nossas responsabilidades individuais.
Muitos companheiros espíritas estão displicentes no trato dos que visitam as suas casas, a convite para palestras ou tais. Não se percebe mais aquela acolhida educada, de recepção, acompanhamento, pois, afinal de contas, são pessoas que vêm à nossa Instituição, fazendo um favor. Estamos nos contaminando com as indiferenças sociais, trazendo-as para os nossos Centros, que deveriam ser de irradiação de solidariedade e acolhimento.
Voltarei a este assunto.
José Medrado é espírita há 32 anos.