Quinta, 09 de setembro de 2010 - 03:46

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


Vamos lá, Bahia (Publicado em Judiciárias)

O Estado da Bahia precisa mostrar mais a sua força jurídica no campo nacional, necessitando, naturalmente, para tanto, de grande emprenho político de seus representantes e do nosso próprio Governador. Falo da possibilidade da juíza federal Mônica Aguiar ser guindada ao cargo de Desembargadora do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que envolve, inclusive, em sua jurisdição a Bahia. Trata-se de uma magistrada de escol, de admirável talha moral, que guarda no seu currículo sobejamente credenciais para mais ainda dignificar a nossa representação jurídico-nacional.
 
A Bahia tem sofrido algumas tristes revezes nesses processos de nomeação por “merecimento” dos nossos magistrados. Seguramente, não se trata de inanição de competência, nem tampouco de leveza curricular, talvez, não sei, esteja enfraquecida no prestígio político. Recentemente, por exemplo, o Tribunal Superior do Trabalho deixou de ter em seus quadros um dos mais preparados Desembargadores Trabalhistas da Bahia, Dr. Cláudio Brandão, que viu escoar suas possibilidades diante de uma colega do Maranhão, sem grande expressividade, mas que teve como padrinho o todo poderoso senador José Sarney.
 
Já é lamentável que estas escolhas, nomeações sejam de caráter político, pois deveriam ser curricular, serviços prestados, real notável saber jurídico, mas a regra aí estabelecida é a do jogo de forças, que em alguns momentos acertam, mas nem sempre. A Bahia tem sido dignificada com os seus representantes, mas esta é a terra do eterno Ruy, logo não pode ser apenas coadjuvante.
 
A Bahia tem perdido, infelizmente, a sua dimensão histórica no cenário jurídico nacional, por falta de visão de contexto global dos nossos representantes e governantes. Não se trata apenas de um orgulho barrista, mas de uma necessária imposição dos nossos valores morais, tão achincalhados em função da pecha perversamente colocada de que vivemos de brisa e mar, tendo na preguiça um dos nossos elementos de exportação. Ainda recentemente vi um comentarista na televisão, a despeito da barbárie que aconteceu na praia de Trancoso contra uma menina de três anos, que foi estuprada e assassinada, afirmar que por aqui “há muitas tartarugas”; referia-se à leniência de um delegado-exceção, que negligenciou o seu dever. Ora, ora, tudo isso, em meu entender, nasce da falta de representatividade sólida, concreta em todos os segmentos da nossa sociedade, em tentativa maciça de dar à nossa Bahia a representação que merece.

Não podemos apenas viver do Carnaval e de expressões nacionais associadas ao axé music. A nossa Terra é o berço desta nação, que tem na sua história moderna a dignidade exemplar de um jurista como J.J. Calmon de Passos. Então, vamos lá, Bahia: mostre que é mais do que axé music.

 

José Medrado é mestando em família