Quinta, 09 de setembro de 2010 - 21:30

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


Os coroneis e os amigos (Coluna Opinião)

 É sabido por muitos do orgulho que carrego por ter sido aluno do Colégio da Polícia Militar, em toda a minha formação pré-universitária. Naquele Colégio aprendi disciplina, correção de conduta e grandes valores patrióticos. Colho, constantemente, e retribuo o carinho e respeito de que sempre me senti alvo por parte dos milicianos de cáqui, neste mundo de tantas ingratidões e vis interesses.

 

 A sociedade se viu chocada, recentemente, com o escândalo envolvendo, dentre outros, coroneis da PM, inclusive um ex-comandante. Lamentável, realmente. Todavia, “permissa vênia”, não entendi a movimentação miliciana contra o episódio, causando-me espécie por tudo que aprendi, vivenciei e vivencio com amigos policiais. Não se trata aqui de solidariedade de amigos, claro que não. Nas horas de necessidade é que vemos, realmente, quem são os nossos amigos. É preciso, porém, nunca perder de foco quem deu causa ao escândalo, às prisões não foram o Governador, a Secretaria de Segurança Pública ou a Polícia Civil. Quem deu causa à humilhação foram os oficias que perpetrarão suas ações, sem a salvaguarda da história da nossa centenária milícia de bravos.

 

 É difícil de se entender que homens probos, honestos se percam no discernimento, por conta da grandeza de sua lealdade, e da força de suas amizades, gerando atritos, fomentando tensões, por força do cumprimento da lei, no restabelecimento do correto e legal. Os possíveis e propalados excessos, se havidos, precisam ter esclarecimentos em instâncias adequadas e condizentes com as ações realizadas.

 

 Se a Polícia Civil se vingou de alguma coisa, os coroneis acusados ensejaram a oportunidade.

 

 A amizade que esses oficiais acusados de corrupção fizeram por merecer, ao longo de suas trajetórias de vida, de ideal é fruto do comportamento, consequência das suas condutas, como também todo o escândalo gerado está sendo reflexo do que eles fizeram. O desvio de conduta não anulará as verdadeiras amizades, mas estas não poderão, de outra parte, anular a ação da lei, no fazimento da justiça.

 

 A ética aristotélica nos ensina que a vida humana é baseada nas relações intersubjetivas da amizade, como condição necessária e indispensável para uma vida fecunda, mas que deve sempre acompanhar todo o agir da boa moral.


O discernimento, assim, ainda em Aristóteles, deve ser uma capacidade verdadeira e raciocinada de agir com respeito aos bens humanos e sociais, sem se deixar envolver pela emoção que entorpece. Ele é, portanto, a capacidade de pensar sobre as coisas de ordem prática, sobre a conduta do próprio homem e de agir conforme os seus feitos.

 

Dessa forma, que a Polícia Militar da Bahia continue altaneira na fé e no ideal, na manutenção do seu desiderato de prevenção e combate ao crime.

 

José Medrado é ex-aluno do CPM e ex-professor da Academia de Polícia Militar