Quinta, 09 de setembro de 2010 - 22:14

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


O desafio de André Peixinho (Coluna Religião)

É sabido por todo militante fecundo espírita que o movimento espírita baiano vive uma grande crise, cujo patrocínio nasce nas entranhas da Federação Espírita do Estado da Bahia. Embolorada, o que deveria ser um órgão agregador, não passa das suas fronteiras de compadrios e donos.
    
É triste ver a fomentação dos “eleitos” e dos “proscritos” por parte desse órgão que deveria coordenar o espiritismo em terras onde aportou, por primeira vez no Brasil, a doutrina codificada por Allan Kardec. Não acordam os seus dirigentes-donos para uma realidade além dos mal caiados muros, onde se verá um mundo dinâmico, com buscas cada vez mais céleres por uma inteligência de ação emocional, sem donos ou ditadores, mas de acomodação do plural.
   
Recentemente, foi escolhido presidente da sua diretoria executiva o teórico, de profícuo conteúdo, André Luiz Peixinho, cujo grande desafio será colocar, na prática, todo o seu manancial de saber acadêmico e de fina facilidade expressiva escrita e oral. Peixinho guarda o compromisso de viabilizar o seu conteúdo de saber no campo da filosofia e da educação, sem as amarras que, de um certo tempo para cá, têm encabrestado um movimento que deveria ser mais leve, suave, por conta do próprio estado em que vivemos, multifacetado em sua cultura, em todos os sentidos, mas se tornou inflexível e déspota em seu conservadorismo esquisito.
   
É sabido que o presidente da diretoria executiva da FEEB tem sido apeado pelo presidente do conselho, verdadeiro dirigente da Federação que, em verdade, dita a condução da política federativa à revelia de todos os outros conselheiros. Sabe-se, outrossim, que Peixinho, até aqui, não se tem mostrado manietado, talvez omisso, mas aí surge a pergunta: Peixinho mudará a filosofia do sistema ou será mudado por ele? O tempo mostrará.

A ex-presidente, Creuza Laje, era bem intencionada, mas bateu na política, nos ditames do presidente do conselho, passando a ser apenas gestora executiva de eminências pardas, infelizmente. Na mudança das peças na FEEB, na atual administração, soube que foi movimentada para ações no interior, já que o antigo vice-presidente, Marcel Mariano, que fazia a sua promoção, não está mais disposto a esse “sacrifício”. Más línguas afirmam que ele queria ser o presidente. Bobagem, pois se continuar sendo como é, logo, logo, será.
   
Os dirigentes espíritas têm mudado, nota-se menos receosos em não seguir paradigmas autoritários, formando-se, graças ao tempo, pessoas mais críticas e menos preocupadas com os cardeais espíritas. A liderança do movimento espírita baiano não mais se restringe a meia dúzia de pessoas. São dezenas que se deram conta de que o trabalho é que gera a liderança, não a bênção desse ou daquele cardeal, e, assim, mais que dantes as Casas estão crescendo e fazendo os seus próprios movimentos em torno de seus ideais. Ponto para os novos líderes, pesar para a FEEB que finge que nada acontece!
   
Voltam-se as esperanças, pois, talvez, seja André Luiz Peixinho, depois de há muito, o primeiro presidente de vontade própria. Aguardemos.

   
José Medrado é fundador e presidente da Cidade da Luz