Quinta, 09 de setembro de 2010 - 03:36

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


Ações da Polícia Militar (Coluna Opinião)

É muito triste quando se lê nos jornais sobre um jovem policial, recém-saído da adolescência, sob investigação por força da morte de um abordado, no mister de sua função. As investigações prosseguem, porém, resultado qual for, não nos parece dúvida crível que ali se estabeleceu, também, uma outra vítima, além do que tombou no solo.
   
É natural que, nesses momentos de comoção e sob o impacto de valores de vida, de emoções vividas, de situações várias de indignação estancada, ânimos se justaponham em atitudes aceitáveis e não. Certo, no entanto, é que o despreparo dos nossos policiais não passa pela incúria da corporação. Dizer que ela é absolutamente autônoma, não é, de maneira alguma, realidade. Ela, a Polícia Militar, é aparelhada pelo Estado, seguindo, certamente até contra, algumas vezes, sua vontade, a orientação política vigente, de apoio ou negligência, de acordo com as marés dos interesses dos ocupantes de Ondina e da Piedade. Vê-se, assim, que questões envolvendo a política pública de segurança não passam, infelizmente, pelos ideais das polícias, mas sempre pela disposição dos governantes.     

A situação se torna mais grave, todavia, quando se verifica não apenas um despreparo, oriundo de uma força mal aparelhada, mal treinada, mas quando as dificuldades chegam ao ponto de não se ter um mínimo garantido de proteção à vida desses policiais, inclusive os da Polícia Civil. Faltam quase todos os itens de segurança pessoal. Assim, como exigir técnica de abordagem, se o medo está presente em suas almas, uma vez que guardam a certeza de que estão totalmente desguarnecidos e despreparados? Sofrem os militares que nada podem falar, por força da hierarquia, fica a sociedade sem a segurança a que faz jus. Culpa dos policiais, de sua corporação? Claro que não. É, mais uma vez, a política sobrepondo o social.
   
Doutra parte, no entanto, pude constatar, na última sexta-feira, o denodo interno da Polícia Militar, quando apadrinhei uma nova turma do Programa Educacional de Resistência às Drogas  (Proerd), no caso, desenvolvido pela 39ª Companhia da PM, sob o comando do major Henrique Melo, tendo no capitão Leão um grande entusiasta. Trata-se de ação importada da Polícia de Los Angeles, nos Estados Unidos, que leva aos alunos de escolas públicas uma consciência de repúdio ao uso das drogas, inclusive as lícitas, como cigarro e álcool. Realizam este programa com móvel próprio, sem ser de estrutura do governo. Foi assim que recebi, na Cidade da Luz, mais de duzentos jovens entusiasmados com os seus instrutores militares, vibrando com a deferência de vida que estavam recebendo pelo programa, e nós constatávamos que realmente é inquestionável o valor da educação como saída para um ideal de paz e menos desigualdade, na busca de um processo de inclusão e atenção com o social.

José Medrado é mestrando em família