Quinta, 09 de setembro de 2010 - 20:39

Medrado na mídia

Artigo publicado no Jornal A Tarde

 


Aprendendo com os políticos (Coluna Opinião)

Nos últimos dias, vimos um espetáculo surpreendente de apreço e fraternidade vivenciado entre os políticos: Sarney recebendo amplexos e quase ósculos de seus “amigos” do governo, em manifestação explícita de estima, consideração, admiração e respeito. Aqui, em nossas plagas, da mesma forma: inimigos de ontem, hoje, recebendo tapinhas nas costas, apertos de mãos com votos de sucesso...
    
Pus-me a refletir, como esses senhores nos ensinam o ideal de fraternidade e superação de dificuldades! Transito por meios religiosos, onde vejo disputas intestinas, perseguições veladas. Verdade! Mas, quando vi tudo isso, dei-me conta de que esses senhores, verdadeiramente, me fizeram rever conceitos.
   
Por exemplo: geralmente se compreende a fraternidade como algo que se desenvolve espontaneamente, o que seria incompatível com os interesses políticos, que tanto se caracterizam pelo uso da coatividade em favor do imediato. Bobagem, a filosofia é de que tudo se supera. Grande lição.
   
Andei esquecendo o conceito aristotélico de amizade política, onde, por meio dele, o filósofo grego defendia que os cidadãos se unem em consenso, para instituir uma determinada comunidade. Seria, atualizando, os de dentro (governo) e os de fora.

Ah! Que má vontade! Pois, na própria Carta-Cidadã de 1988, o legislador constituinte pátrio comprometeu-se com a construção de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, apresentando os seus valores supremos. Em seguida, após traçar toda uma base principiológica, estabeleceu como objetivo fundamental da República Federativa a construção de uma sociedade solidária. Ora, então, assim, os nossos representantes estão seguindo à risca a Carta Magna, e eu aqui sem entender. Preciso rebuscar o iluminista francês Voltaire e o seu tratado de ironia filosófica chamado “O Filósofo Ignorante”.

No entanto, fico com Imanuel Kant e a sua dimensão de dignidade: “O Homem existe como um fim em si mesmo, não simplesmente como meio para o uso arbitrário desta ou daquela vontade”. Penso que ele profetizava o povo brasileiro. 

Mestrando em família e fundador da Cidade da Luz