
A inveja é considerada grande tabu, nos processos sociais, mas está sempre presente nas relações humanas e, principalmente, no ambiente de trabalho, como afirmam as doutoras Patrícia Tomei e Françoise Belle, em interessante pesquisa sobre esse sentimento nas empresas.
A inveja, na antiga Grécia, tinha a forma de uma espécie de fantasma feminino com a cabeça cercada de cobras, os olhos vesgos e fundos, a tez lívida. Um ser muito magro, com uma serpente nas mãos e outra lhe roendo o coração, às vezes acompanhado da Hidra de Lema, monstro mitológico de sete cabeças. Já na sua etimologia, a palavra inveja vem do substantivo latino invidia e do verbo invider, que significam olhar maliciosamente ou olhar enviesado, de soslaio.
Parece-me, infelizmente, que esse ser assombrou os membros da Frente Associativa de Magistrados e Membros do Ministério Público Federal, pois a entidade encaminhou um ofício ao Ministro Gilmar Mendes, no último outubro, afirmando que estão preocupados com o aumento dos servidores federais, pois traz em si “grande potencial de se revelar como um desprestígio e um desestímulo às carreiras da magistratura e Ministério Público da União”. Ora, ora, nunca se viu antes uma categoria profissional lutar contra o ganho de outra. É de elementar siso que se busque a melhoria pessoal, sem criar embaraços aos que lutam pelo mesmo fim.
Percebe-se que o conceito de democracia é meramente formal e não real, no entendimento de muitas autoridades do nosso País, pois se esquecem, ao que parece, de que a luta deve ser pela diminuição das desigualdades sociais e não por querelas fratricidas, de mote nascido da inveja ou de vinditas.
A lógica evolutiva de uma classe deve buscar esteio no somatório de forças, jamais em um contexto hostil e competitivo entre representantes de um mesmo segmento, pois, assim, só gerará o enfraquecimento institucional e todos perderemos. Honestamente, espero que os magistrados e os membros do Ministério Público Federal na Bahia não estejam com essa cobra no colo, pois ela rói e maltrata o coração dos desavisados.
José Medrado é servidor concursado do Judiciário Federal