Em uma entrevista à emissora italiana RAI, divulgada nesses dias, Zampolli é descrito como “aliado de longa data” do presidente dos Estados Unidos. Ele atua como intermediário em negociações internacionais e afirma ter influência direta em acordos comerciais, pois este senhor usou termos extremamente ofensivos para se referir às mulheres brasileiras. O contexto era uma disputa judicial e pessoal com sua ex-mulher, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro.
Em trechos mais agressivos, ele se referiu às brasileiras como uma “raça maldita” e usou outros termos pejorativos e vulgares. Sem dúvida alguma, a isso poderíamos dizer que foi mais longe que a questão de misoginia – se é possível ir mais longe que a hediondez dessa violência –, mas se vê claramente o cultivo do ódio generalizado a uma população inteira, in casu, à brasileira, porque este senhor não está tendo o que julga de direito.
Não dá para falar em redução de mortes femininas sem confrontar esses discursos que circulam livremente no WhatsApp, redes sociais e nos púlpitos. Precisamos entender que masculinidade não é dominação, e que o apoio de algumas mulheres a essas ideias muitas vezes é fruto de um medo profundo ou de uma manipulação psicológica de gerações. Enquanto a gente tratar o agressor como alguém “fora do eixo” e não como alguém moldado por esses discursos, as estatísticas continuarão subindo.A Associação entre o discurso de “homem alfa” e o aumento das agressões é direta.
O que me preocupa de verdade é como estamos assistindo à naturalização da agressividade masculina sob o rótulo de “resgate da masculinidade”. Juliano Cazarré lança curso para ‘homens enfraquecidos’ e atrizes questionam: ‘Discurso que mata mulheres’. Batizado de ‘O Farol e a Forja’, projeto abordará temas como masculinidade e cristianismo. Nomes como Marjorie Estiano e Elisa Lucinda apontaram que iniciativa reforça discursos de violência de gênero. Esses discursos, que pregam uma postura dominante e muitas vezes agressiva encontram um solo fértil em figuras que vendem fórmulas prontas de comportamento. O perigo é que isso valida a ideia de que o homem deve “impor respeito”, através da força ou do controle, e o pior: há um número assustador de mulheres que concordam e defendem esses posicionamentos, acreditando que o autoritarismo é sinônimo de proteção.
Se a sociedade – e as instituições religiosas – passam a ver o comportamento ríspido, o controle financeiro e a explosão emocional como “características naturais do homem”, o caminho para o feminicídio está pavimentado. Recentes levantamentos (como os do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do DataSenado) mostram que a violência doméstica tem uma incidência alarmante dentro do espectro evangélico, por exemplo, por razões óbvias, entendo.
José Medrado possui múltiplas faculdades mediúnicas, é conferencista espírita, tendo visitado diversos países da Europa e das Américas, cumprindo agenda periódica para divulgação da Doutrina, trabalhos de pintura mediúnica e workshops, escreve para o BNEWS, Farol da Bahia e o jornal A tarde.