Articles

10h00

O aborto e a lei

Há uma confusão nas redes, eu mesmo fiquei sem entender, de que o O Senado Federal tinha derrubado uma lei que permite meninas menores a abortar em caso de estupro. Fique de pronto claro que sou contra o estupro, mas , sim, a favor da cidadania e de que se cumpra a lei, sem demagogia religiosa ou fanatismo debilitante. Essa confusão que se está fazendo é compreensível porque o assunto envolve termos técnicos do direito e do legislativo, mas a realidade é um pouco diferente: o Senado não proibiu e nem mudou a lei que garante o aborto legal para menores vítimas de estupro. O direito ao aborto nesses casos continua existindo normalmente na lei brasileira. O que o Congresso fez na verdade foi anular uma resolução específica criada pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). O que mudou e o que permanece na lei? O Código Penal brasileiro garante o aborto legal em caso de estupro desde 1940, ou seja, há mais de 80 anos. O projeto aprovado pelos parlamentares não mexeu nesse artigo da lei. O aborto legal para vítimas de estupro segue permitido por lei no Brasil. O que mudou foi o fluxo de atendimento que havia sido desenhado pelo Conanda para menores de idade, que agora perde o efeito prático e volta a depender estritamente das regras gerais de saúde e do envolvimento dos responsáveis legais. Agora, realmente, sinto que o grande ponto central do debate e a principal preocupação levantada por juristas, defensores públicos e organizações de direitos humanos que acompanham o caso, é o fato de que, embora a lei de 1940 continue escrita exatamente do mesmo jeito, o argumento de quem critica a decisão do Congresso, aí eu me incluo, é que, na prática, derrubar essas normas de atendimento funciona como uma barreira invisível que dificulta ou até impede o acesso ao direito.

No dia a dia da saúde pública, a perda dessa resolução traz impactos reais que tocam exatamente no avanço em cima de direitos: No Brasil, o aborto legal não tem um limite de semanas fixado em lei. Porém, a falta de protocolos claros e o medo de punição jurídica fazem com que muitos hospitais recusem o atendimento conforme a gestação avança. Sem uma diretriz nacional que proteja o médico e a paciente, o serviço de saúde frequentemente trava na burocracia, e o tempo corre contra a vítima. E mais: as estatísticas mostram que a esmagadora maioria dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes acontece dentro do ambiente familiar, cometida por parentes, padrastos ou os próprios pais. Exigir a autorização dos responsáveis legais de forma rígida pode significar, na prática, obrigar a menina a pedir permissão ao próprio agressor ou a alguém que está tentando acobertar o crime. Portanto, a discussão vai além do texto frio da lei. Quem defende a derrubada da resolução foca na autonomia da família e no papel do Congresso em criar leis; por outro lado, quem trabalha no acolhimento a essas vítimas aponta sabemos que, ao retirar as regras que desburocratizam e protegem o atendimento na ponta, o Estado acaba esvaziando um direito que já estava consolidado.


José Medrado possui múltiplas faculdades mediúnicas, é conferencista espírita, tendo visitado diversos países da Europa e das Américas, cumprindo agenda periódica para divulgação da Doutrina, trabalhos de pintura mediúnica e workshops, escreve para o BNEWS, Farol da Bahia e o jornal A tarde

Nenhuma mensagem encontrada!
2016 - 2026. Cidade da Luz. All rights reserved.
Powered by: Click Interativo | Digital Agency

We use cookies to frame information about how you use or our site and the pages you visit. Everything to make your experience more pleasant possible. To understand the types of cookies we use, click on Options. Ao click on Accepted, you consent to the use of cookies.

Accepted Options

Definitions

We want to be transparent about the data that we partners collect and how we use it, so that you can control how well your personal data is. To obtain more information, consult our privacy policy and our cookie policy.

Or what are cookies?

Cookies are saved files on your computer, tablet or phone when you visit a site.

We use the necessary cookies to make or site work in the best possible way and always to improve our services.

Some cookies are classified as necessary and allow central functionality, such as security, network management and accessibility. These cookies can be collected and set so that you start your navigation or when you use any resource that I require.

Manage consent preferences
Analysis Cookies

We use third-party analytics software to collect statistical information about visitors to our website. These plugins may share the content you provide to third parties. We recommend that you read their privacy policies.

Block / Activate
Google Analytics
Necessary
Strictly necessary cookies

They are those that allow you to browse the site and use essential features, such as safe areas, for example. These cookies do not store any information about you that can be used in product or service communication actions or to remember the pages navigated on the website.

Block / Activate
Site
Necessary