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13h44

O empenho da mentira

Estamos vivendo momentos de grandes indefinições e dúvidas quanto ao que se tem como verdade ou com quem ela está, no seu relativismo real. Surgem a todo instante considerações contra A, B, C que nos conduzem a dúvidas e desconfianças, pois  tudo nos parece como verdade, muitas vezes com tanta honestidade, que nos transformamos em pêndulos de afirmações e convicções para um lado e outro. Isso porque, e infelizmente, o conceito de honestidade anda tão deturpado, e no vale tudo para as conquistas dos interesses inconfessáveis é a aparência  que vale: manipulação, falácias (concepção do filósofo Aristóteles onde afirma que qualquer enunciado ou raciocínio falso pode trazer, simular verdades), inclusive porque a nossa sociedade tem estimulado este comportamento, pois os que buscam agir corretamente são chamados de bobos e até ridicularizados por agirem com ética. 

A honestidade que significa qualidade de ser verdadeiro, de não mentir, não enganar, não fraudar está desprezada, pois deveria gerar nas pessoas compromisso com a honra, com a dignidade, mas tem sido usada para “ajustar” princípios, escamotear o certo, pois cada um busca dizer a sua verdade de uma forma muito própria e  trazendo para os seus interesses, não raros, inconfessáveis.

A honestidade, também, pode ser lida e vivida como obediência, sem manipulação, às regras de comportamento moral e ético. São atitudes que se constroem sobre valores, referências firmadas na tradição do comportamento sem enganações e ou mentiras. É certo também, reconhecem sociólogos e antropólogos, que o exercício da plena e verdadeira honestidade nos parece muito difícil nesses dias, pois, estamos vivendo uma época de mentiras e engodos, que nascem pelas redes sociais e saem permeando toda a estratificação da sociedade, desembocando na manipulação por autoridades, políticos no mesclar o que é de fato verdades com o que lhes interessa divulgar e assim vamos ao sabor destes ventos de engodos, mentiras e vontade de nos mantermos como massa de manobra.

Nem tudo, porém, está perdido. Pesquisa realizada por universidades dos EUA e da Suíça, publicada pela revista Science,  que distribuiu 17.303 carteiras em 355 cidades em 40 países –com ou sem dinheiro. O objetivo? Medir a honestidade cívica das pessoas. O resultado elegeu a Suíça como o país mais honesto e a China, o mais desonesto. O Brasil ficou em 26º lugar. Na frente dos brasileiros  estão a Argentina (18º), Portugal (20º), EUA (21º), Reino Unido (22º) e Chile (25º). Mesmo sendo pesquisados apenas 4 dezenas de países, o Brasil respira uma certa esperança. É preciso, no entanto, que não continuemos cultivando a ideia de que se não levarmos vantagens outros levarão. Façamos a nossa educação

*José Medrado é líder espírita, fundador da Cidade da Luz, palestrante espírita e mestre em Família pela UCSal. Escreve para o BNews às segundas-feiras.

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