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12h06

Intolerância e racismo

Na próxima terça-feira (21) é comemorado o Dia Nacional Contra a Intolerância Religiosa. Essa data guarda uma lembrança triste, pois em um jornal de 1999, Gildásia dos Santos, conhecida como Mãe Gilda, fundadora do Axé Abassá de Ogum, em Itapuã, teve sua imagem usada em manchete de um jornal pentecostal: “Macumbeiros Charlatões Lesam a Bolsa e a Vida dos Clientes — O Mercado da Enganação Cresce no Brasil, mas o Procon está de Olho”. Esse fato somado à invasão de seu terreiro por membros de uma outra igreja evangélica, que tentaram “exorcizá-la” levou a um profundo desgosto e consequente morte da sacertodisa. De lá para cá, sua filha, Yalorixá Jaciara Ribeiro, trava uma luta sem tréguas contra os males que causam a intolerância religiosa, visto que no Brasil, sem dúvida alguma, são o Candomblé e a Umbanda as religiões mais perseguidas.

Percebe-se, de logo, que há uma associação de intolerância religiosa e racismo. É preciso, por outro lado, marcar que esta perseguição não surgiu a partir das investidas de algumas das religiões evangélicas, ainda que por elas intensificada. Essa intolerância foi se estabelecendo e se estruturando já no Brasil colônia, quando se forma o chamado sincretismo religioso, que foi sendo configurado fortemente. Havia nas senzalas uma associação das divindades africanas aos santos católicos, que estariam sendo cultuados nos rituais dos escravos. Dessa maneira, os africanos iam tentando sobreviver à situação, fazendo justaposição de elementos de sua fé à dos colonizadores, inclusive para fugirem da instituição do Santo Ofício – a Inquisição –, que vinha ao Brasil perseguir acusados de bruxaria, magia negra.

No entanto, mesmo com o Brasil República as práticas religiosas e culturais dos africanos eram alvo inclusive de perseguição e criminalização pela polícia. A própria roda de
capoeira era proibida por lei, sendo associada à figura do demônio. Dezenas de capoeiristas foram presos e apreendidos seus objetos, adereços e vestimentas usados em rituais. Hoje, pelo menos teoricamente, a democracia deveria impedir que se estabelecesse a vinculação entre Estado e religião, formando o que chamamos de Estado laico, onde todos têm o direito de professar a sua religião ou não, mas infelizmente temos visto um crescimento muito grande do fundamentalismo de algumas religiões, partindo para cima dos perseguidos de sempre. É preciso que intensifiquemos o bom combate em defesa da liberdade de crer, a fim de que essa estúpida ignorância que muitos acalentam, achando sua religião superior as demais não se estabeleça como uma política de Estado. (R)

* José Medrado é líder espírita, fundador da Cidade da Luz, palestrante espírita e mestre em Família pela UCSal. Também é apresentador de rádio.*

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