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08h00

Vergonha e raiva

Toda vez que vejo, leio pessoas indo às vias de fato, física ou verbalmente, contra alguém, em razão de seus ídolos, em qualquer área, mas principalmente no campo político, penso ser de uma imaturidade emocional enorme. Claro que é natural alinharmos nossas convicções a quem pensa como nós, a isto podemos chamar até de empatia emocional.

Todavia, arvorar-se, brigar com pessoas que conhecemos por conta de estranhos ao nosso convívio, simplesmente por ideologia, por simpatia...convenhamos: é de uma tolice sem medida, principalmente se falando de políticos, que estarão sempre com suas antenas direcionadas aos seus interesses individuais e ou corporativos. Brigam-se por eles, para depois tentar “justificar” o que fazem em desacordo com o que discursaram.

Fico aqui imaginando a vergonha alheia dos conterrâneos e eleitores do tal senador Chico Rodrigues, diante das notícias de onde a polícia achou dinheiro escondido. A vergonha alheia é quando os neurônios-espelho, células especialistas em copiar, simular no nosso cérebro o que está acontecendo com outra pessoa.

Certamente, os eleitores mais fanáticos buscam justificar de alguma forma, pois, em muitos casos, por necessidade de proteger as suas próprias escolhas, o seu ego. Isso leva a muitos  defendendo o indefensável, sendo geralmente, inconscientemente,  a si mesmo e suas escolhas. Pessoa alguma gosta de se sentir enganada, então todos os outros estão, é complô, é perseguição, não me enganei. Protegem-se para não sentirem a angústia da frustração.

Se os conterrâneos e eleitores do tal senador deve ter sentido vergonha, nós, os demais brasileiros, devemos ter passado raiva, que é um sentimento cuja função é permitir a reparação perante a frustração, a injustiça e a ofensa, possibilitando a restauração do sentimento de integridade do indivíduo. Ou seja, há uma natural repulsa. O brasileiro, no entanto, tende a ridicularizar, levar em um estranho bom-humor esses escândalos políticos, em uma espécie de conformismo que não faz girar o sentimento de indignação, mas, antes pelo contrário, estimular que políticos, em sua maioria, permissa vênia,  mintam abertamente, sem constrangimento, sem qualquer pudor.

O corporativismo deles chega a ser nauseante. Vide o caso de Flordelis, ainda sem posição do Congresso. Aí justificam com a pandemia, mas em outros interesses não. Estamos, outrossim, vendo que há um movimento em torno do tal senador desmoralizado, parecendo aqueles velhos ditados de nossos pais: quando vemos a barba do vizinho pegando fogo, colocamos a nossa de molho. Ou ainda: quem tem telhado de vidro, não joga pedra nos dos outros. Tudo isso muito lamentável. 

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