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Artigos

10h00

Pesquisa e infelicidade

Ao contrário de muitos religiosos, nunca acreditei que desta pandemia o ser humano, em seu conjunto, sairia melhor em sentimento, em solidariedade. É certo que milhões pelo mundo se voltaram mais ao bem, porém foram minoria. Percebemos que, no Brasil, vem desmoronando fantasia por fantasia, no tocante à generalidade do povo brasileiro, em ser mais solidário, mais feliz. Dessa forma, constatamos, em outro recorte, agora não o da solidariedade, mas o da felicidade, que durante a pandemia do coronavírus, a infelicidade no Brasil aumentou, fazendo o país cair nove posições no ranking global da felicidade, foi o que apontou o Relatório Mundial da Felicidade, elaborado pela empresa de pesquisas Gallup, Banco Mundial e Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), o nosso país ocupa agora a 41ª posição entre 149 nações. Em 2020, o Brasil ocupava a 32ª posição. Essa foi a mais baixa posição do país desde 2005, quando o instituto de pesquisas começou sua avaliação. “Embora o resultado de 2021 tenha relação com a pandemia, constitui apenas o agravamento do desempenho de um país que já esteve em 16º lugar”, avalia Carla Furtado, pesquisadora e fundadora do Instituto Feliciência. É certo, também, que a infelicidade aumentou no mundo todo, mas no Brasil a queda foi muito acentuada, principalmente em razão da fantasia de ser um país de gente alegre e feliz. De acordo com o Relatório Mundial da Felicidade, a Finlândia lidera o ranking pelo 4º ano consecutivo. O relatório leva em conta diversos aspectos, como a relação PIB/per capita, a expectativa de vida no nascimento, a existência de uma rede social de apoio diante de adversidades, a confiança no governo e nas organizações, a liberdade para fazer escolhas, a generosidade e, obviamente, o conceito pessoal sobre o que seja felicidade. Não precisa ser pesquisador para sentir um país, mais que dividido, em cultivo do ódio, em estratégia de desconstrução de reputações, em escárnio pela vida, pela dor humana. Há uma espécie de efeito dominó de normalização de mortes, de dores... diante desta tragédia sanitária pelo que o mundo passa, e o Brasil lidera em mortes diárias. Não precisamos, portanto, ir muito adiante é possível que no nosso próprio ambiente doméstico convivamos com negacionistas, que podem até imitar a dor de alguém que arfa por falta de ar, como, inclusive, o presidente imitou em sua última live. A forma caricata que ele encenou em falta de ar, foi, segundo os seus seguidores ferrenhos, dentro de um contexto. Ora, ora, não há contexto que justifique o deboche da dor, do sofrimento de alguém. O Brasil não é feliz, mesmo ainda tendo as suas paisagens tropicais com seu sol, coqueiros, praias e florestas tão apreciados pelo mundo afora.

José Medrado Mestre em família pela Ucsal e fundador da Cidade da Luz

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