Li por aqui, nas redes de A TARDE, que nesta segunda-feira, 25, a mãe do jornalista Tadeu Schmidt, de 92 anos, morreu. Diz a informação, em palavras do apresentador: “...Eu tenho muita dificuldade para aceitar que nunca mais vou te ver...”. A morte continua sendo a grande dor da condição humana. Não porque seja rara, inesperada ou ilógica. Pelo contrário: ela é a única certeza absoluta da vida. Ainda assim, o ser humano moderno parece cada vez menos preparado para encará-la.
Vivemos uma época em que se fala sobre produtividade, estética, performance, sucesso, juventude, autocuidado,influência, mas quase nunca sobre finitude. A sociedade contemporânea transformou a morte em um assunto clandestino, empurrado para os hospitais, escondido atrás de maquiagem emocional, protocolos burocráticos e frases prontas. Antigamente, mesmo em meio a sofrimentos maiores, a morte fazia parte da paisagem humana. Velórios aconteciam em casa, crianças conviviam com idosos, famílias acompanhavam o adoecimento dos seus. Havia dor, claro, mas também havia convivência com a realidade inevitável da existência.
Hoje, não. Criamos uma cultura que vende a ilusão permanente de controle: filtros escondem rugas, discursos motivacionais prometem felicidade contínua, redes sociais transformam vidas em vitrines cuidadosamente editadas. Nesse cenário, a morte aparece quase como uma ofensa ao espetáculo da aparência.
Tudo precisa parecer jovem, belo, ativo, vencedor. Envelhecer virou quase uma falha estética. E morrer, então, tornou-se quase inadmissível. Há uma ironia dolorosa nisso tudo: quanto mais tentamos expulsar a morte do pensamento, mais frágeis nos tornamos diante dela. O ser humano que nunca reflete sobre a finitude vive anestesiado, mas não fortalecido. A negação constante da morte não produz felicidade; produz imaturidade existencial.
Grandes filósofos compreenderam isso há séculos. Os estóicos ensinavam que lembrar da morte era um exercício de lucidez. Não para viver em tristeza, mas para compreender o valor do tempo, das relações e das escolhas. Heidegger dizia que o homem se torna verdadeiramente autêntico quando reconhece sua condição finita. Até mesmo tradições religiosas diferentes, cada uma à sua maneira, sempre tentaram ensinar que viver é também aprender a partir.
Paradoxalmente, aceitar a morte talvez seja uma das formas mais intensas de aprender a viver. A consciência da finitude dá profundidade ao amor e honestidade ao tempo. Afinal, só é precioso aquilo que pode acabar. Talvez o problema não seja apenas o medo da morte. Talvez seja o medo de perceber que passamos tempo demais vivendo de aparência e tempo de menos vivendo de verdade.
Medrado possui múltiplas faculdades mediúnicas, é conferencista espírita, tendo visitado diversos países da Europa e das Américas, cumprindo agenda periódica para divulgação da Doutrina, trabalhos de pintura mediúnica e workshops, escreve para o BNEWS, Farol da Bahia e o jornal A tarde.