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10h00

Suicídio e morte passional

Vi aqui no BNews  sobre  uma mulher que supostamente matou o namorado,  na tarde deste domingo, em Salvador. Ela teria matado o rapaz enquanto ele dormia, e após o crime a suspeita cometeu, ao que tudo indica, suicídio no banheiro do apartamento. O suicídio é um assunto complexo, delicado, que gera muita inquietação no ser humano.  O suicídio não tem explicação objetiva, pois se trata de consequência dos emaranhados humanos que movimentam o sentir de cada um. Tais aspectos, portanto, não podem ser considerados de forma isolada. Cada caso deve ser tratado como único. Não é, então, difícil fazer a ilação de que  alguém próximo de nós esteja pensando em tirar a própria vida em decorrência de uma grande frustração ou um enorme sofrimento, ou já tenha pensado.
    
Naturalmente, que a morte do rapaz, onde os que conheceram afirmam que era uma excelente pessoa, tende a gerar maior pranto e justa indignação do que a sua jovem namorada assassina, natural, claro. Afinal foi de uma covardia extrema, ao que parece, ele estava dormindo. Duas grandes tragédias para as famílias relembrarem até sempre, em um ano que só começou.     
 
O crime, ao que tudo indica, passional, ou seja, movido pela paixão, deve sempre ser objeto de consideração para quem possa se encontrar em algum relacionamento cujo o amor seja obsessivo, haja possessividade sexual e, principalmente, o ciúme insano, paranoico, que desperta no indivíduo o  tal “monstro de olhos verdes” descrito por Shakespeare em uma de suas obras, onde o personagem  Otelo mata sua fiel e apaixonada Desdêmona, atormentado pela possibilidade dela estar traindo-o. Fato é que homens e mulheres podem matar pela obsessão de possuir o\a outra(o). Veremos nesses casos, em geral, amantes emocionalmente imaturos, intolerantes à frustração.  São pessoas inseguras, dominadoras, que não respeitam a individualidade do outro vendo este como propriedade sua. Infelizmente, muitas pessoas interrompem a caminhada de outro ser humano, no caso de mortes passionais, pelo medo da perda, o achar que (todas as fantasias nascidas da imaturidade emocional) que as suas dores são justificativas que conferem o direito legitimo de matar. Não veem como justo que a vítima possa ter uma vida com outra pessoa. Naturalmente, que todos os casos vão guardas as suas nuances próprias, mas convenhamos que a pessoa alguma cabe o direito de tirar a vida de outra.  

José Medrado – Mestre em família pela Ucsal e fundador de Cidade da Luz 

 

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